Uma raça genuinamente brasileira.
Baseado nos artigos FILA, UM NOME QUE JÁ DIZ TUDO – escrito por Paulo Santos Cruz e publicado em “O Fila” número 36, de Setembro / Outubro de 1982 e UMA COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA DE MUDANÇA DE COMPORTAMENTO PELO USO DA MESTIÇAGEM escrito por Luiz Antonio Maciel e publicado em “O Fila” número 10, de setembro de 1979.
Repetidamente somos inquiridos, através de cartas dos leitores, sobre a origem e o significado do nome “Fila”.
O que de início soa estranho, depois os ouvidos acostumam e o nome soa agradável, transmitindo a idéia de segurança, lealdade, fidelidade, dedicação.
Fila é expressão castiça, vernácula, como todos os léxicos informam, e com significado bastante apropriado:
Cândido Figueiredo: “Filar – prender, agarrar à força, segurar com os dentes”.
Hildebrando Lima: “Filar – prender, segurar com os dentes, agarrar à força, açular”.
Silveira Bueno: “Filar – morder, agarrar (cão de fila), açular cães”.
W. M. Jackson: “Filar – agarrar à força, açular um cão de fila, segurar com os dentes a presa (o cão filou).” “Fugindo a que o filassem vivo”. (Camillo). Agarrar-se com os dentes a alguma cousa com força”.
“Fila – ação de filar, cão de fila: o que pela braveza se emprega como guarda nas casas e quintas”.
Antonio de Moraes Silva: “Fila – ação de filar, segurar, prender. Cão de fila: cão grande e bravo, que não larga a presa que agarrou com os dentes. Os antigos disseram, nesse sentido, cão de filhar”.
Portanto, como vêem, o nome define bem a raça e até seu temperamento. Logo, um cão que não seja bravo, que não morda, que não comprove seu instinto de guarda, pode ter a forma de Fila, mas não é Fila. Então o que é? É um “F.F.”, ou “fila frio”: cruza de Fila com outra raça qualquer, visando a obter sofisticações vendáveis. Uma atitude inescrupulosa que leva à um prejuízo de caracteres de temperamento e perda de função de uma raça com décadas de seleção.
Um dos mais graves prejuízos que os mestiçadores introduziram no Fila ao realizarem suas experiências de cruzamentos com cães de outras raças foi a alteração do temperamento e do comportamento do nosso cão. Os mestiços que proliferam pelo país com pedigrees oficiais perderam a agressividade típica do Fila, e também a ojeriza a estranhos.
Ao introduzirem na raça Fila Brasileiro o sangue de outras raças, a pretexto de melhorar a cabeça e o tamanho do cão, os mestiçadores provocaram a incorporação de genes definidores do comportamento específicos dessas raças.
O erro em que os mestiçadores caíram ao fazer suas experiências, prejudicando duas características essenciais – agressividade e ojeriza a estranhos – que tornaram o Fila Brasileiro o melhor cão de guarda.
O Fila tem alguns nomes regionais bastante expressivos: cabeçudo, onceiro, boiadeiro, atravessado; e combinações inevitáveis, como “fila onceiro”, “fila boiadeiro”, “cabeçudo onceiro”, etc… etc…
Aí está, para os cronistas da nossa raça canina, o significado e a origem do seu nome. E, para os atuais criadores, a responsabilidade de selecionar, programar, visando sempre à preservação do caráter e do temperamento que lhe deram o nome.
Reconheçamos: o Fila não é bonito, no sentido puro da estesia. Sua boniteza é a que podemos qualificar de “beleza útil”, ou “beleza funcional”. A impressão de força, de potência, de capacidade; a convicção de sua lealdade, do seu instinto de guarda, da sua dedicação; a certeza de que não nos acordará de madrugada para darmos os comandos de ataque, mas que resolverá, por sua própria iniciativa, os problemas que surjam, dando-lhes soluções radicais, porém práticas e definitivas. Isso tudo o faz parecer belo, lindo, pleno de estesia e credor de toda nossa amizade.
Dos seus túmulos, nossos ancestrais só nos pedem um favor, e nos dão uma incumbência: entregarmos às futuras gerações de criadores o mesmo Fila que eles nos doaram, com todas as suas qualidades mentais e somáticas, mantidas puras, autênticas, como eles as mantiveram, sem qualquer grau de mestiçagem.